Então, como o comum dos mortais lá me tenho que submeter a alguns minutos de tortura que é andar de autocarro; não sou picuinhas por ter que ir esperar por um veiculo que toda a gente espera, ou por ter paragens especificas em vez de me levar de porta de casa à porta do trabalho, apenas após tantos anos a andar de carro apercebi-me que o que não gostava nos autocarros era simplesmente das pessoas, tal como não suporto shoppings pelo mesmo motivo.
No entanto há sempre aquelas coisas que nos marcam, como hoje um senhor com um fato completo de bombazine como se estivéssemos em 83, mais especificamente em 1883, camisa aberta e cruz de ouro, nem parece que estamos em pleno Inverno com um alerta amarelo nem nada.
Mas como não estou aqui para discutir moda, vamos ao senhor seguinte. Como deve dar para perceber pela minha aversão a pessoas, quando entro num autocarro procuro os sítios mais vazios e acabo quase sempre em pé, muitas das vezes entra um senhor umas paragens à frente que mal consegue andar, as pessoas dão-lhe o lugar ou ele senta-se sempre na respectiva cadeira, o estranho era a cara de nojo que as pessoas faziam quando ele se sentava à beira delas, a meu ver era porque ele estava um pouco babado mas pronto acontece a todos, a ele mais do que é costume presumo, não é razão para ter nojo. Mas a vida continuou. Um certo dia, autocarro quase vazio, sentei-me num dos ditos lugares para grávidas, deficientes e bebés? Já não sei que são aqueles lugares, continuando, umas paragens à frente entra o tal senhor e a muito custo senta-se ao meu lado acompanhado de um pouco da sua baba e sons animalescos enquanto se esforça para se acomodar quando de repente me vem um cheiro conhecidíssimo às células receptoras nervosas dentro do nariz responsáveis pelo olfacto, o homem cheirava a presunto como se não houvesse amanhã!
Fiquei admirado e a pensar porque é que em vez de cara de nojo, as pessoas não faziam fila para se ir sentar à sua beira...
Sem comentários:
Enviar um comentário